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A história da Volkswagen Tipo 2, ano a ano, de 1946 até 1967
Antes de se tornar no mito que hoje é, a Volkswagen Tipo 2 (Transporter), chamada carinhosamente de Pão de Forma em Portugal, foi desenhada para ser um utilitário de longa duração. Deriva de uma “bricolage” realizada pelos engenheiros de Wolfsburg que inspirou o importador holandês da Volkswagen. Um utilitário destinado a cumprir as funções mais variadas numa Europa em plena reconstrução. Mas pouco a pouco, do rústico paralelipípedo com rodas, evoluiu para um objecto lúdico... Cada vez mais virado para a família e os passeios... E se os desenvolvimentos da Transporter estiveram mais próximos do artesanato do que do verdadeiro desenvolvimento industrial, o seu sucesso rapidamente impôs a criação de uma fábrica inteiramente dedicada à sua produção. Ao longo dos anos sessenta a Transporter transforma-se claramente num veículo insubstituível e inimitável que encontramos em cada esquina, e que foi sendo adaptada em função das necessidades dos mercados e dos seus proprietários...
1946 Tudo começa quando os engenheiros da fábrica da Volkswagen em Wolfsburg (a dos Carochas) sentem a necessidade de optimizar o transporte de componentes dentro do recinto da fábrica... e constróem um modelo com base no chassis do Kubelwagen, parecendo uma plataforma rolante com uma cabina para duas pessoas colocada na parte traseira.
1947 Em 23 de Abril, Ben Pon, o importador holandês da Wolkswagen apresenta a sua ideia de um veículo utilitário ao Coronel Radclyfe, responsável da fábrica. O primeiro desenho surge na sua própria agenda de trabalho e definia já de forma muito concreta o que vem a ser mais tarde o modelo Tipo 2 da Volkswagen.
1948 É aprovado este projecto por Heinz Nordhoff.
1949 Uma dezena de protótipos de Transporter é montada à mão, e servirá para a promoção comercial deste novo veículo, que tem a sua apresentação oficial em 12 de Novembro.
1950 Em 8 de Março arranca a produção da primeira Transporter, e é também neste ano que começam os “restylings”: As grelhas de refrigeração do compartimento do motor passam de verticais a horizontais, as dobradiças de cima das portas da frente são ligeiramente elevadas aumentando-se simultaneamente a rigidez dos painéis frontais. Os pára-choques frontais são arredondados nas pontas e reforçados de cada lado. Um enorme logotipo surge na frente em substituição de um mais pequeno e surge também atrás. As goteiras de protecção no tejadilho surgem por cima das portas da frente e laterais, mas não a toda a volta. Também a roda suplente deixa de ser montada na vertical do lado direito passando a ocupar um espaço por cima do motor e por debaixo de uma prateleira que é então instalada.
1951 A cadência de produção aumenta rapidamente... a Transporter é o veículo ideal para sustentar a retoma económica, não só na Alemanha mas por todo o Mundo. Surge finalmente uma pequena janela traseira, e as goteiras são alargadas a todo o tejadilho. A abertura da porta traseira passa a contar com um fecho em forma de T, substituindo o em forma de L, herdado do irmão Carocha. É em 10 de Abril que sai da produção a primeira Kombi (a partir do número 20.011.868), Transporter equipada de três vidros laterais e de dois bancos no ex-compartimento de carga que permite albergar 6 pessoas com um nível de conforto razoável e mantendo um espaço de bagagem por cima do compartimento do motor. Os bancos são desmontáveis permitindo assim ter um veículo muito versátil. A 27 de Junho surge o Minibus de Luxe de 8 lugares, ficando conhecido como “Samba” (a partir do número 20.012.908), sendo esta versão o verdadeiro precursor dos monovolumes dos dias de hoje, com uma combinação de duas cores (vermelho cereja e castanho cacau), um quarto vidro lateral num total de 23 vidros que deixam entrar tal luminosidade no interior que mais parece um “Aquário” sobre rodas. Esta versão de luxo conta agora com um tablier a toda a largura do veículo com um rádio disponível em opção. E no dia 13 de Dezembro é produzida a primeira Ambulância (a partir do número 20.019.498), sendo uma série limitada, e a primeira a dispor de uma abertura traseira no compartimento de carga. Esta inovação implicou em simultâneo rebaixar a prateleira que se encontra sobre o motor, alterar a colocação do depósito de combustível para trás do motor, e por cima da caixa de velocidades, com entrada para enchimento no lado direito, e ainda reposicionar a roda suplente por detrás do banco da frente, “escavando” um encaixe no painel que separa o compartimento de carga, que surge também agora com um vidro separador. Estas alterações estendem-se a todos os modelos só em 1956.
1952 Em 25 de Agosto a Volskswagen acrescenta uma versão Pick-up à gama já existente (a partir do número 20.030.590). A parte da frente mantém-se inalterada e o compartimento de carga é agora um espaço aberto com 2,60m de comprimento e 1,57m de largura, com 0,37m de altura, com uma superfície utilizável de 4,2m2. Esta versão dispõe de portas totalmente rebatíveis e lisas, contando ainda com um “porta-bagagens” com cerca de 2m2 de superfície posicionado por debaixo desta plataforma e entre os bancos dianteiros e o depósito de combustível, totalmente hermético, com acesso através de uma porta colocada do lado direito. O capot do motor é igual ao já utilizado nas Ambulâncias. Mais para o final do ano é montada uma nova caixa de 4 velocidades contando com três sincronizadas.
1953 A Samba recebe um pára-choques traseiro e uma protecção em alumínio para os cantos. A Kombi e a Minibus de oito lugares recebem vidros laterais com possibilidade de abertura e os famosos vidros frontais Safari, que se podem abrir completamente para cima, ficando em posição horizontal (Muito cuidado com as moscas!) deslocando os limpa pára-brisas para uma borracha suporte conhecida como ”bico-de-pato” posicionada no centro dos dois vidros. As Pick-up recebem umas portas reforçadas com 4 recortes nas laterais e 3 na traseira.
1954 Com 80 unidades produzidas diariamente em 9 de Outubro é alcançado o número 100.000. E na cerimónia de comemoração é anunciada a construção de uma nova fábrica em Hanover, por Heinz Nordhoff, especificamente para a produção da “Pão de Forma”, que depois do mercado europeu procurará um lugar no mercado americano. Neste mesmo ano é inaugurada uma fábrica de montagem na Austrália, para onde serão enviados kits da Alemanha para montar as Transporter. O motor passa para 1.192cm3 com 30cv às 3.400rpm e taxa de compressão de 6,6:1, o que permite ultrapassar com mais serenidade... E todas as versões recebem pára-choques traseiro bem como alterações nos faróis traseiros.
1955 Neste ano o milésimo passa de Janeiro a Dezembro para Agosto a Julho, pelo que o ano de 1955 é o mais curto, apenas com 7 meses... Em Março assistimos à transformação do aspecto exterior (a partir do número 20.117.902) com uma porta traseira a dar acesso ao compartimento de carga, partilhando do mesmo posicionamento do depósito de combustível da Pick-up. O tejadilho é agora alongado à frente, parecendo-se com um boné, alojando uma entrada de ar (para o habitáculo) por cima de cada um dos vidros da frente. As jantes de 16” são substituídas por umas de 15”, acompanhadas por um sistema de travagem melhorado, e por um novo tablier em metal da cor da carroçaria e prevendo um recorte disfarçado para a instalação de um rádio, e um velocímetro graduado até 100km/h. O velhinho volante de três braços herdado do Carocha dá lugar a um novo apenas com dois, montado de série. O pedal do acelerador de roldana é substituído por um “normal” e o condutor dispõe agora de uma pala protectora de sol (embora seja o único a gozar deste privilégio...).
1956 Em Março sai de Hanover a primeira Pão de Forma... a carroçaria é aí produzida e os elementos mecânicos são recebidos das outras fábricas a fim de serem aí montados... e o número 20 como início do número de chassis é abandonado. As alterações são ao nível dos faróis traseiros que funcionam como de presença e de pisca, mantendo o central como farol de travão e a montagem de série do retrovisor exterior do lado direito. Também neste ano dá frutos o acordo firmado em 1954 com a Westfalia para a produção de Pão de Forma transformadas para campismo, sendo esta a versão mais versátil (de utilização mesmo todos os dias!), com uma maior taxa de sobrevivência.
1957 Relembramos que este ano se inicia em Agosto de 1956... e com a produção a crescer constantemente é em 13 de Setembro que se atinge o número 200.000, e em Maio 250.000! Em Julho são mais de 100.000 unidades produzidas em Hanover e em Novembro de 1957 (ano/milésimo de 1958...) 300.000! Na Pick-up as setas são reposicionadas mais abaixo, agora junto ao fecho da porta, onde são mais visíveis (a partir do número 247.199) assim como os retrovisores também são reposicionados mais para baixo. No salão de Frankfurt surgem as novas versões da Transporter Pick-up: a Pick-up de cabina dupla, a Pick-up com uma plataforma alargada para fora da carroçaria e a Pick-up com reboque especial para transporte de objectos compridos como troncos de árvore.
1958 Novos recordes são batidos! As modificações no aspecto aparecem a partir do número 357.389: o capot recebe uma pequena boça onde aloja a iluminação da placa de matrícula, o farol central traseiro de travão desaparece sendo esta função acumulada pelos laterais. Surge a Pick-up de cabina dupla com banco traseiro, com vista a dar resposta a uma procura cada vez maior deste tipo de veículos dada a necessidade de transportar equipas maiores e materiais num mesmo veículo. Mas os primeiros exemplares desta versão não são produzidos pela Volkswagem... são pelo carroçador Binz. A diferença consiste num vidro lateral maior e rectangular (na Volkswagen, por razões de racionalização de produção, são iguais aos da Kombi), a porta do compartimento de passageiros é do tipo “assassinas” (abre da frente para trás) e os painéis são modificados a partir das Pick-up de cabina simples, mantendo o porta-bagagens lateral sem porta exterior e com acesso por debaixo dos bancos traseiros, o que não se revelou nada prático... mas albergava 6 pessoas! A Pick-up de cabina simples surge agora com portas em metal ou em madeira com armadura metálica, adaptando-se a utilizações de, por exemplo como em Portugal, transporte de bilhas de gás ou fardos de palha e gado.
1959 Estamos bem longe dos balbuciamentos de um lançamento hesitante, e da fabricação artesanal das primeiras Transporter. Transbordando as fronteiras europeias, produzida na fábrica de Hannover, que lhe é inteiramente dedicada, o utilitário das liberdades adaptou-se ao mercado e descobriu-se uma verdadeira vocação familiar. Sem nada perder da sua modularidade, nem da sua originalidade. A gama alargou-se, do Minibus de Luxe à Pick-up, passando pelas versões dupla cabina que apresenta a vantagem de permitir o transporte de cinco pessoas confortavelmente instaladas sem perder volume de carga. Encontramos agora em cada esquina uma Pão de Forma com cores chamativas e configurações muito diferentes. Essa adaptação permanente às necessidades de uma clientela cada vez mais diversificada faz explodir as vendas. Não foram precisos sete anos para atingir 300.000 exemplares produzidos. E apenas mais um ano, em 16 de Outubro de 1958, 400.000 Pão de Forma montadas. O sucesso não está longe de recordar o do seu pequeno irmão lúdico, o Carocha, que foi estrondoso, e quase em paralelo. As primeiras modificações a aparecerem neste milésimo estão na pega de abertura das portas laterais que passa a ter um recorte de forma oval, para caber melhor a mão que a abre. A partir do número 385.000, os novos pára-choques montados são mais robustos. As versões americanas contam com tubos de protecção suplementares, conhecidos entre nós como “toalheiros”... A sua montagem incorpora a modificação da manivela de arranque e a saída de escape, agora mais longa. A pick-up de cabina dupla faz agora oficialmente parte integrante da gama, sendo a sua produção igualmente assegurada por Hanover. A paleta de tintas alarga-se, passando o vermelho a estar disponível também para os utilitários (até então disponível apenas para o Minibus de Luxe). Em Junho de 1959 (a partir do chassis n.º 469.506), é montada uma nova caixa de velocidades. O escalonamento foi revisto e todas as velocidades são sincronizadas, o carter é agora uma só peça moldada em alumínio para evitar as fugas de óleo o que, na versão anterior de duas peças, era uma dor de cabeça. Também ao nível do motor se verifica uma evolução, taxa de compressão elevada a 7:1, e uma potência que se eleva até 34cv às 3.600rpm. O carburador Solex 28 PICT é equipado de uma ignição automática, e o filtro de ar de um dispositivo de reaquecimento do ar. O regime máximo de rotação da turbina foi reduzido, para melhorar sensivelmente o conforto acústico, que nunca foi um ponto forte da Pão de Forma... As caixas de aquecimento são mais eficazes, o pé do dínamo, moldado com o carter do motor, foi substituído por um pé desmontável. A saída de escape, agora curva, passa para a esquerda.
1960 Os recordes fizeram-se para serem batidos! Neste pequeno campeonato, a Pão de Forma rapidamente se transforma num concorrente muito sério, com a montagem do exemplar número 600.000 em 27 de Abril de 1960. Entretanto algumas modificações vieram trazer um toque, muito bem vindo, de modernidade. A partir do número 501.707, a posição da alavanca de velocidades e do travão de mão avançaram cerca de 25mm. O tapete de borracha que cobre o chão da cabina é, por consequência, modificado. As setas são relegadas ao esquecimento (a partir do número 614.456 - Maio de 1960) e são montados os piscas à frente (conhecidos em Portugal como “maminhas” enquanto que atrás surgem uns faróis combinados (luz de presença, luz de travão e piscas), cinco anos depois de estes piscas serem montados nas Pão de Forma destinadas ao mercado americano. É que, com o aumento do número de veículos em circulação, as setas tornam-se cada vez mais perigosas: pouco visíveis, às vezes recalcitrantes... O banco é agora regulável longitudinalmente e em inclinação com três posições, trazendo um conforto suplementar. Surge uma Pão de Forma em que o tecto é todo sobreelevado e as portas aumentadas com um painel de chapa soldado. Uma versão que vai seduzir os comerciantes para uma loja ambulante, por exemplo.
1961 A gama em 1961 foi enriquecida com duas novas versões utilitárias: uma Pick-up com caixa fechada e uma Pick-up com caixa alargada. A gama das Transporter de 1961 conta já com várias versões... com a Furgão base, a Pick-up base, a Pick-up de caixa alargada, a Pick-up de cabina dupla, a Pão de Forma de 9 lugares, o Minibus de Luxe com 9 lugares, o Minibus panorâmico de 9 lugares, a Pão de Forma versão polícia, a ambulância M150 e a Camping. Neste ano, a Volkswagen melhora a qualidade de vida a bordo da Pão de Forma: um mostrador eléctrico da gasolina substitui a antiga régua graduada e a torneira que activa a reserva, uma pega de segurança para o passageiro é montada no tablier, uma pala para o sol aparece para o passageiro, o comando da caixa de velocidades é melhorado assim como os pedais. Conhece-se a Pão de Forma de 1961 pelas pegas das portas posteriores com fechadura incorporada. Para o motor, a forma das chapas de protecção dos cilindros é modificada para que circule o fluxo de ar à sua volta. A partir de Julho o indicador dos piscas junto do velocímetro passa a verde deixando de ser vermelho.
1962 As séries especiais nunca mais acabam, surgindo uma Transporter Pick-up alongada e com caixa fechada sobreelevada. A polícia de São Paulo, no Brasil, adopta a Pão de Forma, e por causa disso, elas passam a ser também aí fabricadas. E numa óptica de “adapto-me a qualquer mercado”, a Pão de Forma furgão sobreelevado dá origem a uma série de variantes, cada vez mais gigantescas, com tectos de alturas diferentes. A melhoria do conforto da condução prossegue: o condutor dispõe agora de um assento separado e regulável longitudinalmente e em inclinação. As caixas dos faróis dianteiros são menos proeminentes no interior e, consequentemente, menos perigosas para os joelhos dos ocupantes. Os faróis traseiros de forma oval, maiores, e de matéria plástica em duas cores: laranja para os piscas e vermelho para faróis de presença e faróis de travão. Novas modificações são introduzidas no motor (melhor refrigeração dos gazes na tubuladura de admissão, pistões e sedes de válvulas reforçadas). A partir de Junho de 1962 é disponibilizado, em opção, um novo motor de 1.500 cm3 de 42 cv às 3.800 rpm. Desta vez atingem-se 100 km/h de velocidade de ponta (antes era 95). Esta evolução estava já incorporada nas unidades exportadas para o mercado americano desde Janeiro.
1963 É aos milhares que as Pão de Forma atravessam o Atlântico, a bordo de imensos cargueiros. Otto Höhne, chefe dos serviços de fabricação da Volkswagen, rende homenagem à milionésima Pão de Forma, uma nove lugares vermelha e branca, florida para a ocasião. O conforto é progressivamente melhorado com o passar dos anos, contando agora os ocupantes da frente de assentos separados e reguláveis. Na ocasião da saída da milionésima Pão de Forma, a Volkswagen procurou as mais velhinhas unidades sobreviventes, para saber por onde andavam. A milionésima Pão de Forma produzida pela Volkswagen sai de Hanover em 2 de Outubro de 1962. A marca não se esqueceu de festejar tal evento com pompa e circunstância, numa cerimónia presidida por Heinz Nordhoff. É uma Minibus de Luxe coberta de flores, de cor vermelha e branca, a quem serão rendidas as honras, sendo esta Pão de Forma oferecida à UNICEF. A diferença da Pão de Forma de 1963 consiste em cavas das rodas traseiras mais largas e contendo um rebordo no exterior, e também nas cavas das rodas dianteiras contendo uma superfície em chapa menor por detrás da roda. A partir de Março de 1963 as grelhas de refrigeração do compartimento do motor passam a ser dez e agora rebatidas para dentro. Também, em opção, as duas portas laterais “de armário” podem ser substituídas por uma única porta deslizante, representando uma facilidade para as operações de carga e descarga nos locais mais exíguos. A opção pelo motor de 1.500cm3 é acompanhada de uma série de modificações destinadas a melhorar a segurança: travões e amortecedores revistos, trens rolantes reforçados.
1964 Os gabinetes de estudo detêm-se, depois de algum tempo decorrido, sobre a melhoria de acesso ao compartimento de carga. De facto, o portão é estreito e os volumes mais largos não podem entrar para a traseira apesar do espaço interior os poder albergar. Qual a solução? Um portão alargado de 33 cm (a partir da número 1.144.282, em finais de Julho de 1963), com um novo sistema de abertura contendo um botão que substitui a pega “revirante”. Também um vidro traseiro verdadeiramente aumentado que melhora a visibilidade. E a Pão de Forma Minibus de Luxe perde os seus dois vidros de canto. Já não é uma 23 janelas, mas uma 21, que continua disponível em duas configurações: sete e nove lugares, em função do banco central que seja montado. Paralelamente uma versão 1.000Kgs aparece (a partir da número 1.219.511) sobre as bases Furgão, Kombi e Pick-up, com uma suspensão reforçada. Para todos os modelos e mercados são uniformizados os piscas frontais: os piscas “maminhas” desaparecem dando lugar aos piscas “olhos de peixe” - redondos, maiores e espalmados. A jante de 15” é substituída pela de 14” (a partir da número 1.222.025), para um conforto melhorado. Um monograma Volkswagen surge por de baixo do portão traseiro, à esquerda. As versões Furgão e Minibus de Luxe recebem uma porta lateral deslizante, para o lado direito. Em opção, uma segunda porta lateral deslizante pode ser montada do lado esquerdo. As escovas limpa-vidros, depois de muito tempo sendo um ponto fraco da Pão de Forma, são revistas: braços mais longos (em 3 de Agosto de 1964), motor mais potente e um depósito de líquido lava-vidros por debaixo do tablier com comando na própria tampa de borracha, de série para todos os modelos. O sistema de aquecimento é melhorado pela presença de entradas de ar à altura dos joelhos dos ocupantes dianteiros.
1965 A Volkswagen adopta um novo sistema de numeração em Agosto de 1964. Agora, um algarismo indica o ano e o modelo. Exemplo com o número 215.000.001: o 2 indica que se trata de um utilitário, o 1 que é um furgão e o 5 é o ano do modelo e os restantes seis algarismos indicam o número de fabricação. Paralelamente a gama recebe algumas modificações: o motor de 1.200 cm3 de 34 cv é cada vez menos uma escolha, já que os compradores optam cada vez mais pelo motor de 1.500 cm3. Assim, a Volkswagen deixa cair o motor de 1.200 cm3 e disponibiliza agora apenas uma motorização... a de 1.500 cm3, que se faz acompanhar, obviamente, de trens reforçados e travões melhorados. As pegas das portas dianteiras já não são as flexíveis mas sim umas fixas, com um botão com fechadura. A porta lateral traseira tem agora um embutido com vista ao encaixe das referidas pegas, quando aberta. A placa de identificação é retirada do compartimento do motor para o interior: sobre o dispositivo de climatização, dentro do habitáculo. A porta do compartimento de carga da Pick-up é agora aberta por um dispositivo tipo abre-latas e um monograma Volkswagen surge entre o capot e a porta traseira.
1966 A partir de Agosto de 1965, a potência do motor de 1.500cm3 passa de 42 para 44cv graças à montagem de uma nova tubuladura de admissão mais eficaz e de um carburador Solex 28 PICT1. Os pistões foram reforçados, o diâmetro das válvulas aumentado (35,5mm na admissão e 32mm no escape) e a taxa de compressão rebaixada, passando de 7,8:1 para 7,5:1. O filtro de ar é agora à direita e já não à esquerda. A suspensão e os trens rolantes são novamente revistos, permitindo maior longevidade e resistência à carga. Uma barra estabilizadora é montada à frente e o comando da alavanca de velocidades é alterado tendo em vista melhorar a precisão. Na Pick-up o vidro traseiro é agora maior. A partir do número 216.046.096, as novas pegas interiores em baquelite de cor de marfim são montadas nas portas dianteiras, e o retrovisor interior oferece uma superfície maior sendo colocado sobre um suporte cromado. O novo comando dos máximos é colocado na manete dos piscas, sendo suprimido o botão de pressão comandado pelo pé. As escovas limpa vidros têm agora duas velocidades, com retorno automático. Como opção, dois pedais são fixados por debaixo das portas dianteiras e o circuito eléctrico pode ser em 12 volts. O capot recupera o fecho do Carocha, com uma fechadura incluída no botão, em opção.
1967 No seu último ano de produção a Pão de Forma recebe ainda alguns melhoramentos. Um pequeno toque de luxo num mundo rústico. Uma única chave é agora suficiente para abrir todas as portas e accionar o motor, que progresso! Nesta folia, também o porta bagagens da Pick-up recebe uma fechadura. Paralelamente um dispositivo de segurança impede a abertura intempestiva das portas em caso de colisão. Os pontos para colocação do cinto de segurança são agora apresentados de série. A terceira velocidade é encurtada, o escalonamento da caixa é melhorado ganhando a Pão de Forma em performance. O circuito eléctrico de 12 volts é montado de série. Isto quer dizer mais potência, melhor arranque, nova bobina, nova ignição, novo regulador de tensão e igualmente um motor de limpa vidros mais performante. Um grande autocolante colocado do lado esquerdo do tablier lembra ao condutor que a Pão de Forma conta agora com 12 volts. Também o tablier é alterado: o encaixe do rádio é uniformizado com o Carocha. A porta de acesso ao depósito de gasolina recebe agora um rebordo visando facilitar a sua abertura. Nas Pick-up os fechos das portas são arredondados, tendo em conta também a segurança... alguns utilizadores ganharam “olhos à belenenses” à custa dos anteriores.
Chuif! Chuif! Em Agosto de 1967 acaba a Pão de Forma “split”, dando lugar à Bay Window... Este look espartano pertence agora ao passado com uma severa transformação levada a cabo pela Volkswagen... |
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A história da Split Screen |